As revoluções modernas ganharam um contexto diferente, às vezes até particular, como se fosse uma revolução do eu sozinho. Não faltam acusações fantasiosas, gente cujo prazer é classificar qualquer contra ataque como ditadura ou ameaça à liberdade de expressão, como se essa fosse um sonho, um éden ou nirvana. E também como se o o outro tivesse a obrigação de ser agredido sem revidar. Esquecemos, porém, da responsabilidade por tais atos e isso desencadeia uma reação ainda pior, justificando e inflacionando os achismos e julgamentos particulares. E julgando decisões como mercenárias e oportunistas.

Por conta dessa revolução com viés “vanguardo-anarquista”, as críticas e reclamações ganham ares de guerrilha e não faltam camisas estampadas com o rosto de pensadores e revolucionários famosos, como forma de valorizar a manifestação. Também estão presentes bandeiras vermelhas, narizes de palhaço, violência verbal, coro entoando uma rima personalizada. Não falta nada.

Por outro lado, despreza-se o pensamento individual e desrespeita-se os adeptos do pacifismo, exaltando a selvageria e atos truculentos. Mesmo que depois reconheçam Cristo ou até mesmo Gandhi como pacificadores, considerando-os como exemplos a serem seguidos e copiados. Contradições.

Consideram-se revolucionários seguidores das ideias de Che e inimigos dos países norte-americanos por tabela, mas combinam tudo por meio de um iPhone ou Blackberry, ou usando computadores com Windows. Tudo através de redes sociais que surgiram nos Estados Unidos. Tempos de globalização, mas sem nenhuma relação com o canal de TV, pois ele também é um dos inimigos da ordem e da moral. Mesmo sabendo tudo sobre o BBB e cada uma das falas do apresentador do Jornal Nacional, os principais vilões e responsáveis pela alienação cultural. Tempos modernos.

Elege-se a cultura norte-americana como destruidora da boa moral e da arte brasileira, mas cultua-se artistas como Rihanna e Madonna nas redes sociais e, ao mesmo tempo, exalta-se produções culturais de serviços de streaming daquele país. Critério vanguardista.

Tenta-se de forma desesperada levantar bandeiras em causa própria ou de um pequeno grupo. São organizadas manifestações, transformando qualquer questão, às vezes minúscula, na causa da desgraça do mundo, da fome na África, da guerra entre as religiões, da falta de respeito com a vida em todas as esferas. Justificam isso com uma frase: “correr atrás dos meus interesses”.

Mesmo que, para isso, a contradição seja a base dessas revoluções modernas.

Mesmo que, para isso, a acusação venha quando se está abandonando um determinado sistema, em uma versão moderna daquela brincadeira infantil de apertar a campainha de uma casa desconhecida e sair correndo.

Sem medo, mas se escondendo.