Foto Matheus José Maria

Medeia, Édipo Rei, Hamlet, Macbeth: obras clássicas que, além de assemelharem-se por terem sido escritas há centenas de séculos, possuem um traço particular em comum: são tragédias que se consagraram pelo mundo e seguem atingindo públicos dos mais diversos, confirmando, assim, a atemporalidade de suas histórias. Não é diferente com Antígona, tragédia grega escrita por Sófocles no ano 441 A.C e que, assim como as demais citadas, segue contemplada em livros e peças teatrais.

Até o dia 5 de novembro de 2017, o público poderá acompanhar essa história em formato de um monólogo encenado pela atriz Andréa Beltrão, no Teatro Raul Cortez, em São Paulo. Antígona é filha de Édipo – famoso personagem da mitologia grega que, sem saber tratar-se de seus pais, mata o pai e se casa com a própria mãe, Jocasta, com quem tivera mais três filhos, além de Antígona: Polinice, Etéocles e Ismênia.

Após manifestar o desejo de enterrar dignamente seu irmão Polinice – que morre juntamente com Etéocles, após uma batalha travada entre ambos por poder – a protagonista da história se desentende com o rei da cidade de Tebas, Creonte, quem ordenara que o corpo de Polinice permanecesse insepulto, para ficar exposto à putrefação. A filha de Édipo é então presa, a pedido do rei, e uma série de outras tragédias se sucedem até o final do monólogo.

Assim como ocorre com outras peças do gênero, Antígona segue uma tendência de espetáculos encenados na capital paulista que, desprovidos de cenários, apostam unicamente na atuação, que, por si só, consegue sustentar o espetáculo do começo ao fim e concretizar no palco toda a densidade contida nas obras. Não é diferente com Andréa Beltrão, que está bem à vontade em seu papel e consegue nos conectar com a densidade do texto. A atriz interpreta a personagem principal da trama e, ao mesmo tempo, encara outros personagens para situar o público no contexto do drama.

E contribui para essa contextualização a presença de uma árvore genealógica montada ao fundo do palco, que traz toda a linhagem dos personagens gregos, desde Zeus até Antígona. Uma excelente ideia que situa a plateia com muito mais facilidade nas narrações da história, conforme novos personagens aparecem, permitindo que se desfrute com maior tranquilidade da atuação de Andréa e do afinco com que se entrega à história. Assim não nos preocupamos em buscar na memória o perfil de algum personagem da cronologia grega, muito bem retratada e explicada pela atriz.

Poder, obsessão e vingança são alguns dos temas que permeiam não só Antígona como a maioria das tragédias escritas há séculos e que seguem atraindo gerações distintas. Certamente porque mudam os tempos e as formas de relações, mas determinados comportamentos seguem inerentes ao ser humano e, quando não exteriorizados, ao menos são projetados como desejos limitados à mente.

Serviço:

Antígona

Onde: Teatro Raul Cortez – R. Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo – SP.

Quando: sextas e sábados, às 21h; e domingos, às 17h.

Quanto: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada) – disponível para compra no www.compreingressos.com e na bilheteria do teatro.

Classificação etária: 12 anos.

Até 5 de novembro de 2017

 

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