Esconde-esconde, amarelinha,pega-pega, bolinha de gude, cantigas de roda, passa anel, roda pião, empinar pipa. Estas são alguma das brincadeiras que faziam parte do universo infantil antes da tecnologia reinar no mundo contemporâneo.

Os anos 90 foi uma época em que a tecnologia ainda estava se dissipando. Isso proporcionou aos jovens e crianças a oportunidade de desfrutarem mais das brincadeiras na rua, de comer alimentos da moda, de assistir aos inúmeros programas e desenhos animados que passavam na TV aberta, já que o canal fechado era privilégio dos mais bem afortunados.

Acredito que naquela época as crianças podiam viver a infância intensamente e dar valor às pequenas coisas da vida. Sem os famosos brinquedos e jogos tecnológicos, as crianças tinham que utilizar a imaginação para se divertir. Isso era muito bom. Acordar cedo e correr para o sofá da sala era minha rotina. Minha e de todos os meus coleguinhas da escola. Não perdíamos um único episódio da Família Dinossauro, TV Colosso, Teletubbies, Doug (torcia para ele se declarar para a Patti Maionese), não posso me esquecer de mencionar a novela Chiquititas, o Castelo- Rá -Tim-Bum, entre outros que marcaram a infância de muita gente.

Ter uma sandália Melissa era o desejo de quase todas as meninas – eu tinha uma – ia pra escola todos os dias de Melissa no pé e os famosos tererês no cabelo. Mas meu desejo de Natal era ter um tênis de luzinhas piscantes, nunca ganhei, mais também nunca esqueci. Não era difícil ver as crianças tomando conta do seu bichinho virtual, ou melhor, “tamagotchis”, ao invés dos celulares que vemos hoje em dia. Tinha um famoso salgadinho que vinha com partes do corpo de borracha, era uma sensação. Passava horas brincando com minhas molas coloridas de borracha ou o vai – vem e pega-vareta.

Não existia redes sociais, nosso círculo de amizade era no quintal ou na frente de casa. Maquiagem era coisa de gente grande. Quando estávamos apaixonados, escrevíamos cartinhas escondidas aos invés de mandarmos mensagem pelo Facebook. Todo mundo tinha medo de Merthiolate porque ardia. Comprávamos vários biscoitos da Elma Chips apenas para pegar os Tazos. E não havia maldade em descer na boquinha da garrafa, botar a mão no joelho e dar uma abaixadinha, botar a tcheca pra sambar e ralar até o chão com o grupo “É o Tchan”. E nossa maior expectativa era achar a figurinha que faltava para o nosso álbum.

Essa época não volta mais, mais relembrar sempre é bom. A infância e a juventude passam rápido. Cabe aos pais desligar a TV, desligar o celular e os aparelhos tecnológicos de vez em quando para tentar proporcionar aos filhos um pouco do que vivemos. Devemos deixar que brinquem, que se sujem, que corram, que caiam e corram riscos. Devemos brincar e mostrar a eles como aproveitar a verdadeira infância e não viver apenas sob o domínio da sociedade capitalista e vulgarizada que estamos vivenciando.

  • Isabella Felix

    Também sou dessa época. Acho que tive computador pela primeira vez — um que pifava toda semana — aos quatorze anos. Eu gostava dos meus tênis, do meu lego, de desenhar, da minha massinha de modelar (até hoje), do meu tamagotchi amado, dadinho vermelho e de brincar de pique bandeirinha na rua. Acho que a tecnologia nos fez perder algo valioso e a medida que o tempo passa, temos menos noção do que estamos perdendo. Pessoas não conversam mais, não se reúnem presencialmente vez ou outra, não se tocam nem se olham mais. E talvez, algo houver percepção de todas as nossas perdas, seja tarde demais para resgatar alguma coisa…